Seguro viagem além do preço: saiba o que realmente importa na hora de contratar

Contratar um seguro viagem ainda é, para muitos brasileiros, uma etapa feita às pressas — e, quase sempre, guiada pelo preço mais baixo. Mas essa lógica pode custar caro. O Blog do Affinity conversou com Samy Hazan, especialista em seguro viagem e professor da Escola Nacional de Negócios e Seguros (ENS). Segundo ele, o maior erro do viajante é não considerar o que realmente importa: a capacidade do seguro de resolver problemas quando eles acontecem. “O seguro ideal não é o mais barato, é o que funciona bem quando a viagem sai do roteiro”, resume.

A escolha do seguro precisa partir de uma análise mais ampla do perfil do viajante e das características da viagem. Destino, duração, idade, condições de saúde, presença de gestantes, crianças ou idosos e até o tipo de atividade prevista — como esportes — impactam diretamente na cobertura necessária.

Esse cuidado é essencial porque diferentes cenários exigem diferentes níveis de proteção. Uma viagem a trabalho, por exemplo, pode demandar agilidade no atendimento, enquanto viagens de lazer podem exigir maior cobertura para imprevistos logísticos.

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Cobertura médica é o ponto central

Entre todos os itens da apólice, a cobertura médico-hospitalar é considerada o pilar principal. É ela que garante assistência em situações mais críticas e, por isso, não deve ser negligenciada.

Para destinos como os Estados Unidos, onde os custos de saúde são elevados, o especialista recomenda coberturas a partir de USD 80 mil — podendo ser ainda maiores, dependendo do perfil do viajante e das atividades planejadas.

Outro recurso que vem ganhando espaço é a telemedicina. A possibilidade de falar com um médico à distância facilita o atendimento em situações mais simples, como gripes, alergias ou indisposições, evitando deslocamentos desnecessários e perda de tempo durante a viagem. “Hoje, o viajante consegue resolver problemas básicos rapidamente, muitas vezes sem sair do hotel”, destaca Hazan.

Atenção às coberturas complementares

Além da assistência médica, é importante avaliar as coberturas adicionais. Itens como atraso ou cancelamento de voo, perda de conexão, extravio de bagagem e interrupção de viagem podem fazer diferença significativa, especialmente em roteiros mais complexos.

No entanto, o especialista alerta: não basta verificar se a cobertura existe — é fundamental entender os limites, regras e condições de acionamento. “Às vezes o seguro parece completo no resumo, mas tem limites baixos ou exigências que restringem o uso na prática”, explica.

Companhia aérea e seguro têm papéis diferentes

Um dos pontos que mais geram confusão entre os viajantes é a responsabilidade em casos de atraso ou cancelamento de voos. Nesses casos, a obrigação inicial é sempre da companhia aérea, que deve oferecer assistência e alternativas imediatas.

O seguro viagem atua como um complemento, ajudando a cobrir despesas extras e minimizar impactos financeiros, dependendo do plano contratado. “É importante alinhar essa expectativa. O seguro não substitui a companhia aérea, mas ajuda a reduzir prejuízos”, reforça.

Diante de atrasos ou cancelamentos, a recomendação é agir com agilidade e estratégia. Confirmar informações em múltiplos canais, buscar atendimento tanto presencial quanto digital e, principalmente, guardar toda a documentação são passos essenciais.

Cartões de embarque, recibos, prints e comprovantes podem ser determinantes para acionar tanto a companhia aérea quanto o seguro posteriormente.

O desafio ainda é educar o viajante

Apesar da crescente conscientização, o especialista aponta que o maior desafio do setor ainda é educar o consumidor. Muitos viajantes ainda encaram o seguro como uma exigência burocrática — e não como um aliado estratégico.

Essa percepção limitada faz com que o produto seja subvalorizado e mal utilizado. “Seguro viagem não é só para grandes emergências. Ele também ajuda em situações comuns do dia a dia da viagem, como um atraso, uma bagagem extraviada ou uma orientação médica simples”, afirma.

O papel do agente de viagem

Nesse cenário, o apoio de um agente de viagem ou corretor especializado pode fazer toda a diferença. Um profissional qualificado ajuda a interpretar as coberturas, entender necessidades específicas e evitar escolhas baseadas apenas no preço.

No fim das contas, a contratação de um bom seguro não elimina imprevistos — mas pode impedir que pequenos problemas se transformem em grandes dores de cabeça. “É sobre viajar com mais tranquilidade. O seguro não evita o problema, mas garante que ele seja resolvido da melhor forma possível”, conclui Hazan.

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