Europa muda regras de entrada: o que você precisa saber sobre o novo sistema EES

A partir de 10 de abril de 2026, quem planeja viajar para a Europa vai precisar redobrar a atenção. Entra em operação o novo sistema digital de controle de fronteiras da União Europeia, conhecido como EES (Entry/Exit System), que substitui os tradicionais carimbos no passaporte por um registro biométrico completo dos viajantes.

A implementação começou de forma gradual ainda em 2025, mas agora passa a valer de forma mais ampla em todos os países do bloco. Para evitar transtornos durante o verão europeu, o início da operação contou com certa flexibilidade — algo que ainda poderá ser utilizado pelos países em períodos de maior movimento, caso seja necessário reduzir filas e ajustar o sistema.

Segundo autoridades europeias, os países poderão, em situações específicas, suspender parcialmente o uso do sistema por até 90 dias, com possibilidade de extensão. A ideia é dar margem para adaptação, tanto das equipes de fronteira quanto dos próprios viajantes.

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O que muda na prática?

O EES cria um cadastro eletrônico para turistas de fora da União Europeia e do espaço Schengen. Nesse registro, ficam armazenadas informações como:

  • dados do passaporte
  • foto facial
  • impressões digitais
  • histórico de entradas e saídas
  • eventuais recusas de entrada

Com isso, o controle passa a ser totalmente digital, permitindo acompanhar com mais precisão o tempo de permanência permitido — que continua sendo de até 90 dias dentro de um período de 180 dias.

Além de modernizar o processo, o sistema também reforça a segurança, ajudando a identificar inconsistências em documentos e possíveis riscos antes mesmo da entrada no território europeu.

Quem precisa se preocupar com a nova regra?

A mudança afeta principalmente turistas de países que não fazem parte da União Europeia — como brasileiros, americanos, canadenses e britânicos — que viajam por curtos períodos e não precisam de visto.

Por outro lado, alguns grupos ficam de fora do novo sistema, como:

  • cidadãos da União Europeia e do espaço Schengen
  • pessoas com visto de longa duração ou permissão de residência
  • residentes legais com cartão válido
  • diplomatas e autoridades em missão oficial
  • trabalhadores fronteiriços e algumas categorias específicas de profissionais

Biometria passa a ser obrigatória

Um dos pontos mais importantes é a exigência de dados biométricos. Todos os viajantes incluídos no sistema deverão fornecer foto facial e impressões digitais. A recusa significa, automaticamente, a negativa de entrada no país.

Embora não seja obrigatório ter passaporte biométrico, ele pode facilitar bastante o processo, já que permite o uso de quiosques de autoatendimento. Quem utiliza passaporte comum precisará fazer o primeiro cadastro presencialmente.

As informações coletadas ficam armazenadas por até três anos, o que tende a agilizar viagens futuras. No caso de menores de 12 anos, apenas a imagem facial será registrada.

Prepare-se para filas maiores no início

Apesar da proposta de agilizar o controle no longo prazo, o começo da operação pode trazer alguns desafios. Relatos iniciais já apontam aumento no tempo de espera em aeroportos, especialmente nos horários de pico.

Por isso, a recomendação é clara: programe-se para chegar com pelo menos 1h30 a 2h de antecedência adicional em relação ao habitual. A expectativa é que a situação melhore gradualmente conforme o sistema se estabilize.

Tecnologia a favor do viajante

Para ajudar nesse processo, a União Europeia lançou o aplicativo Travel to Europe, que permite fazer um pré-cadastro com envio de dados e biometria antes da viagem.

O registro pode ser feito até 72 horas antes da chegada, reduzindo o tempo na imigração — embora ainda seja necessário passar por uma verificação presencial. A ferramenta está sendo liberada aos poucos e deve ganhar mais abrangência nos próximos meses.

E a privacidade dos dados?

De acordo com a União Europeia, o sistema segue rigorosamente as regras de proteção de dados do GDPR, equivalente à LGPD no Brasil. O acesso às informações será restrito a autoridades de imigração e segurança, com armazenamento criptografado.

Os dados permanecem guardados por até três anos após a saída do viajante. Em casos de irregularidades, esse prazo pode chegar a cinco anos. Após esse período, as informações são automaticamente excluídas.

Foto: Freeepik

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